Desenvolvedores de Diablo formam novo sindicato com 450 membros

Os desenvolvedores de Diablo começaram uma nova fase na luta pelos seus direitos. Na última quinta-feira, um grupo de 450 trabalhadores do famoso game da Blizzard anunciou que se sindicalizou, unindo-se à Communications Workers of America (CWA). Essa movimentação segue os passos de outras equipes de titãs como World of Warcraft e Overwatch 2.

A boa notícia é que esse grupo já ganhou reconhecimento oficial da Microsoft, que assegurou que não vai interferir na formação de sindicatos durante a aquisição da Activision Blizzard. Porém, a verdadeira tarefa começa agora: estabelecer um acordo coletivo que seja respeitado e reconhecido por ambos os lados.

O Impacto das Demissões

Kelly Yeo, produtora de Diablo IV, comentou que a decisão de se sindicalizar surgiu após a companhia cancelar um projeto de jogo de sobrevivência e demitir toda a equipe envolvida. Com as demissões sendo frequentes, muitos desenvolvedores sentiram a necessidade de se unir para garantir seus direitos.

Ela relatou que algumas pessoas estavam em dúvida sobre se sindicalizar até que as demissões se tornaram realmente alarmantes. “Cada corte parece apertar um pouco mais o nó em todos que ficaram,” observou Yeo. Este é um desabafo comum entre os funcionários que buscam estabilidade em tempos incertos.

Uma Inspiração de Dentro da Indústria

O que galvanizou o grupo dos desenvolvedores foi ver como as demissões afetaram a ZeniMax Online. Yeo notou que, através de sindicatos, alguns trabalhadores conseguiram pacotes de demissões mais vantajosos. “Claro que o ideal é que possamos salvar todos os empregos, mas pelo menos alguns tiveram uma chance,” destacou.

Enquanto o sindicato ainda está em fase de formação, os desenvolvedores já têm uma lista de temas para levar à mesa de negociações. Eles querem discutir salários, implementação de inteligência artificial, créditos e trabalho remoto.

Desafios na Questão dos Salários

Um dos temas mais críticos será a questão dos salários. Historicamente, os desenvolvedores da Blizzard têm salários considerados baixos. Embora trabalhar em uma franquia renomada como Diablo traga um certo prestígio, muitos profissionais sabem que poderiam ganhar mais em outros estúdios.

A Yeo também mencionou que a alta direção da Activision Blizzard está incentivando o uso de tecnologias de inteligência artificial, o que gera preocupação, especialmente entre os artistas. O acordo coletivo busca garantir que essas ferramentas sejam usadas como suporte, e não como uma substituição total ao trabalho humano.

Essa união e busca por direitos é um reflexo do que muitos trabalhadores têm enfrentado nos dias de hoje, mostrando que nunca é tarde para lutar por condições melhores.

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