Ubisoft pode parar completamente, segundo sindicatos

Após uma nova tentativa de reforma para se recuperar de anos de dificuldades financeiras, a Ubisoft enfrenta um desafio inesperado: seus funcionários estão se mobilizando para paralisar as atividades. Cinco sindicatos franceses anunciaram parceria para protestar contra as decisões tomadas sem consultar os trabalhadores, algo que vem gerando insatisfação.
Entre os sindicatos envolvidos estão a STJV, Solidaires Informatique, CGT, CFE-CGC e Printemps Écologique. Juntos, eles divulgaram que a primeira ação será uma greve programada para os dias 10 a 12 de fevereiro. A expectativa é grande, e a união dos sindicatos mostra a gravidade da situação.
Os representantes dos funcionários criticam a decisão da Ubisoft de acabar com as políticas de trabalho remoto. Recentemente, a empresa havia estabelecido um acordo coletivo que permitia aos colaboradores trabalhar de casa dois dias na semana. Essa mudança inesperada gerou revolta, especialmente porque muitos acreditavam que as novas regras trariam segurança e flexibilidade.
Um comunicado nas redes sociais destaca a insatisfação: “Com a gerência teimosa e autoritária, convocamos todos os trabalhadores da Ubisoft na França a se juntarem a nós nessa greve”, dizem os sindicatos. É um apelo claro à união em um momento delicado.
Ubisoft é acusada de desrespeitar trabalhadores e mal uso de recursos
Além das preocupações sobre o trabalho remoto, a insatisfação vai além. Os sindicatos acusam a liderança da Ubisoft de estar mais preocupada em cortar custos do que em cuidar dos funcionários. Eles exigem que os executivos que participaram das decisões que levaram a empresa a uma crise sejam responsabilizados.
O tom do comunicado é firme: “Sem nossos trabalhadores e com um financiamento público generoso, a Ubisoft jamais teria alcançado esse tamanho.” Essa declaração ressalta a importância da equipe no crescimento da desenvolvedora, que não pode ser ignorada.
Depois do anúncio da reforma, a Ubisoft também lançou um programa de demissão voluntária na França, com a meta de reduzir 200 vagas. Essa ação foi criticada pelos sindicatos, que veem isso como uma forma de pressão para os funcionários aceitarem a oferta. A Solidaires Informatique destacou que muitos, após anos de descaso e falta de reajustes, poderão se sentir tentados a sair, o que reforça a insatisfação.
Kensuke Shimoda, um ex-colaborador da divisão japonesa da Ubisoft, aponta que a empresa enfrenta adversidades comuns a muitas grandes corporações. Segundo ele, ao crescer rapidamente, a Ubisoft perdeu sua capacidade experimental e manteve em posições de liderança pessoas que não se adaptaram às novas demandas do mercado.
A situação na Ubisoft reflete um cenário mais amplo da indústria, onde os desafios enfrentados pelas grandes empresas frequentemente têm um impacto direto nas pessoas que nelas trabalham.



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