PlayStation 5: chaves de ROM vazadas podem facilitar hack do bootloader

O início de 2026 trouxe uma reviravolta para a segurança do PlayStation 5. Nos últimos dias de 2025, hackers revelaram o vazamento das chaves de ROM do console, que são códigos essenciais para sua inicialização. Esse desenvolvimento pode mudar completamente o jogo para os fãs e desenvolvedores que trabalham com modificações.
Diferente de outros métodos de hack que usavam vulnerabilidades de software, essa nova falha atinge a parte mais fundamental do hardware. Agora, desenvolvedores podem acessar o bootloader do PS5 de forma muito mais fácil, o que pode abrir portas para novas possibilidades de homebrew e personalização do console.
Esse acontecimento é preocupante e lembra o que aconteceu com o PlayStation 3 há alguns anos. A segurança do PS5 se vê em uma situação delicada, uma vez que essa falha parece ser algo que não pode ser corrigido com uma simples atualização de firmware.
Com um ponto importante em mente, é possível entender a chamada “Cadeia de Confiança” do sistema, que começa no momento em que ligamos o console. As chaves vazadas permitem aos hackers analisar essa estrutura e explorar como o sistema funciona.
O que são as chaves de BootROM?
Para entender a importância desse vazamento, é fundamental falar sobre o hardware do PS5. O console utiliza uma APU customizada da AMD, que contém códigos gravados fisicamente em seu chip durante a fabricação. Esses códigos são chamados de BootROM, ou Nível 0.
Essas chaves têm uma função crítica: garantir que a próxima etapa da inicialização, chamada Bootloader, seja original e assinada pela Sony. Como as chaves agora estão públicas, os hackers podem desencriptar e examinar o bootloader, identificando como o console valida seu sistema operacional.
Tradicionalmente, a maioria dos hacks se concentrava em falhas no Kernel ou no navegador Webkit, que podem ser corrigidas através de atualizações. Com essas novas chaves, os hackers agora podem:
– Analisar e compreender o Bootloader (Nível 1).
– Entender como o console valida o sistema.
– Potencialmente criar firmwares customizados que rodem de maneira nativa.
Por que a Sony não pode corrigir isso via software?
O termo “unpatchable”, ou “impossível de corrigir”, é utilizado por especialistas para descrever a situação atual. Isso porque essas chaves estão fisicamente imutáveis no hardware existente. Se a Sony tentasse mudar as chaves em uma atualização, o BootROM do console não conseguiria reconhecer o novo sistema e o aparelho não ligaria.
A única saída para a Sony seria lançar uma revisão de hardware — como uma nova placa-mãe ou um modelo “v2” com novos códigos gravados na fábrica. Portanto, isso torna os milhões de consoles que já foram vendidos até agora itens valiosos, pois ficarão permanentemente vulneráveis a futuras modificações.
Impacto na emulação e Homebrew
Além das modificações diretas no console, o vazamento pode ter um impacto enorme na emulação no PC. Emuladores como o shadPS4 beneficiam-se desse novo conhecimento, permitindo que criadores de emuladores repliquem o processo de boot do console com precisão. Isso resulta em jogos exclusivos rodando em computadores de maneira mais suave e compatível.
Embora não seja um convite à pirataria imediata — já que o sistema ainda possui uma camada de proteção bem robusta —, esse vazamento remove uma das barreiras mais desafiadoras para os desenvolvedores. Para quem está interessado em homebrew, o ideal é evitar atualizações automáticas e desconectar os consoles da internet.
Esse evento altera drasticamente o cenário de segurança do PS5. Enquanto a Sony busca como lidar com essa situação, o console que você tem na sua estante hoje é, tecnicamente, muito mais aberto do que era um dia antes.


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