Epic Games responde a diretor sobre uso da Unreal Engine no cinema

Após as críticas do diretor Gore Verbinski, conhecido pelos três primeiros filmes da franquia Piratas do Caribe, em relação ao uso da Unreal Engine no cinema, a Epic Games resolveu se manifestar. A empresa defendeu que os profissionais de efeitos especiais ficariam bastante animados se tivessem acesso a essa tecnologia na época em que esses longas foram produzidos.
Num e-mail enviado ao site PC Gamer, a Epic afirmou que é “errado apontar uma única ferramenta como responsável por percepções errôneas sobre o estado dos efeitos visuais e da computação gráfica”. Entretanto, a empresa também reconhece que a popularidade da Unreal pode resultar em trabalhos de qualidade inferior, já que mais pessoas estão usando a ferramenta.
O porta-voz da Epic, Patrick Tubach, destacou que “a estética e o cuidado vêm dos artistas, não do software”. Tubach, que tem uma bagagem extensa na Industrial Light & Magic e participou de projetos como os Piratas do Caribe, acredita que a Unreal Engine é uma aliada poderosa para cineastas.
Unreal Engine como aliada no cinema
Tubach explicou que a Unreal Engine é utilizada no cinema para pré-visualização de cenas e produções virtuais. Ele ressaltou que, se os artistas de 10 ou 15 anos atrás tivessem acesso a essa tecnologia, suas vidas teriam sido muito mais fáceis. O próprio Tubach se lembra bem disso, já que esteve nessas equipes e sonhava com uma ferramenta tão avançada.
Verbinski, por sua vez, apontou que uma das principais falhas da tecnologia está na iluminação, observando que sua popularização trouxe “visuais de videogame” que não servem bem a projetos focados em fotorrealismo. Um exemplo claro de como o uso de efeitos visuais pode ser bem executado é o filme Piratas do Caribe: O Baú da Morte. Este longa, lançado em 2006, ainda é lembrado por seus efeitos impressionantes, que lhe renderam o Oscar de Melhores Efeitos Visuais.
A realidade da produção cinematográfica
Entretanto, ao criticar a Unreal Engine, Verbinski parece deixar de lado o contexto mais amplo em que essa tecnologia opera. Apesar de sua eficácia, a Unreal não consegue resolver sozinha desafios como equipes reduzidas e prazos cada vez mais curtos. Esses fatores são, em grande parte, consequência do aumento na quantidade de produções que abusam da computação gráfica, muitas vezes sem o devido cuidado.
O debate sobre o uso dessas ferramentas tem tudo a ver com a evolução da indústria cinematográfica. Enquanto as tecnologias avançam, é crucial que os profissionais continuem a priorizar a qualidade e a responsabilidade em seus trabalhos, garantindo uma experiência cinematográfica que agrade a todos.



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