Análise de Code Violet (PS5) | Push Square

Code Violet começa e termina com citações do famoso pintor e inventor Leonardo da Vinci. Essa referência até faz sentido — afinal, o jogo não será lembrado como a Mona Lisa, mas é, sem dúvida, uma tentativa ambiciosa que nunca realmente decola.

A história se passa em um futuro distante, em uma instalação no confim do espaço. A heroína, Violet, é acordada de um sono profundo de forma bem desagradável quando vê seu amigo sendo devorado por um velociraptor. Quem nunca teve um dia desses, não é mesmo?

O problema é que Violet acorda apenas de roupa íntima, e, surpresa! Suas roupas estão do outro lado do local. Isso levanta algumas questões curiosas. Ela deve ter tirado a roupa na noite anterior e vagado pelos corredores em trajes mínimos, sendo observada pelos funcionários, antes de novamente atravessar a instalação em busca de suas calças para enfim tomar um café da manhã. Um pouco confuso, não é?

Mas sem tempo para pensar muito, já que velociraptors são criaturas bem impacientes, Violet precisa sair dali rapidamente, com ou sem calças. Então, ela se ajeita e parte em busca de suas roupas, armas e alguma explicação sobre como dinossauros foram parar no espaço e a colocaram na lista de almoço.

### Narrativa Engraçada, Mas Silenciosa

A narrativa que envolve dinossauros no espaço é absurdamente cômica, embora a atuação e a história sejam tratadas com uma seriedade impressionante. É como se você colocasse Christian Bale na série dos anos 60, Batman, e dissesse que ele deve atuar com todas as forças. Estranhamente, isso traz um toque de humor a alguns momentos.

Porém, a diversão acaba de repente ao começar a jogar. Logo que pegamos o controle, enfrentamos um glitch que nos mandou para o além, e isso não foi só pela falta de sorte. Fomos instruídos a correr de dois velociraptors famintos, mas o controle ficou totalmente sem resposta, enquanto os dinossauros nos cercavam e acabaram mordendo a gente, presumivelmente, mais por sorte do que por habilidade.

### Armas e Combate

Quando finalmente conseguimos pegar algumas armas, a situação não melhora muito. O tiroteio em terceira pessoa é fraco, com as armas parecendo vazias. Disparar uma espingarda é mais parecido com o barulho de soprar um canudo de papel do que com aquela explosão esperada. O feedback visual dos tiros é bem inconsistente, e, frequentemente, não sabemos se atingimos o alvo até que o dinossauro caia.

Quando Violet é atacada, sua reação é quase sem emoção, como se um dinossauro estivesse de brincadeira. Ela simplesmente fica parada enquanto um velociraptor ataca. No entanto, ela tem uma pulseira que mostra a saúde dela, então, mesmo que a reação seja broxante, você percebe que está em apuros quando a barra de vida começa a cair.

Outro ponto complicado é a câmera. Em áreas fechadas, ela pode se comportar de maneira estranha, o que não é nada bom em um jogo que se passa, em sua maior parte, em corredores estreitos.

### Desafios e Dinossauros

A exploração conta com uma orientação limitada: não há registros de missão ou direções precisas. Você ouve os personagens falarem sobre lugares para ir, mas na prática, isso pode significar procurar por um cartão de acesso vagando de sala em sala. Algumas vezes, precisam resolver pequenos quebra-cabeças — como encontrar um código usando uma luz negra. Desafios básicos, nada muito impressionante.

Os inimigos também são repetitivos. Os velociraptors aparecem em maior número, mas há poucos dinossauros diferentes, como aqueles que deram uma mordida em Peter Stormare em O Mundo Perdido: Jurassic Park. E sim, sabemos que o dilofossauro, o que cospe veneno, não tinha realmente esses traços na vida real. Isso faz com que o jogo seja um pouco mais como um “Jurassic Park” disfarçado, mesmo que talvez os desenvolvedores tenham se baseado nos filmes.

### Estilo e Aparência

Um aspecto curioso são os trajes que você pode vestir a Violet, que variam de pin-up a cowgirl sexy — geralmente com pouca roupa e algumas peças que deixam nada à imaginação. Isso levanta uma pergunta: por que esse tipo de roupa seria prático para enfrentar dinossauros? Isso só adiciona mais confusão ao tom do jogo, já que Violet não é uma personagem divertida. Ela parece mais alguém que perdeu um hamster no meio de uma convenção de quadrinhos.

Em um momento crucial, Violet chora pela morte de um colega. No entanto, a cena ganha um ar cômico quando a câmera revela que ela está vestindo um traje de cowgirl sexy. A situação acaba sendo engraçada, e talvez você possa pensar que Violet está em um universo alternativo, onde se apresenta em um “OnlyFans” temático no espaço.

### Visual e Duração

Apesar de tudo, algumas partes de Code Violet têm um visual interessante. As animações são peculiares, mas alguns cenários externos são bonitos, e o cabelo da Violet é estiloso. Pena que a maior parte do jogo acontece em corredores muito semelhantes, com pouca iluminação.

Um ponto positivo é que a duração do jogo é curta, cerca de seis horas. Para os menos perdidos, pode acabar sendo até menos que isso. Se fosse mais longo, certamente seria um desafio, mas com seis horas, ainda é um pouco cansativo, mas não tanto quanto poderia ser.

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