High on Life 2: caos e roteiro interessante, mas gameplay decepcionante

Independentemente de você ser fã do primeiro jogo ou não, High on Life 2 é uma experiência que chama atenção. Essa sequência, criada pela Squanch Games, volta recheada de humor ácido e um roteiro com aquele caos que muitos adoram. Mas nem tudo são flores; o gameplay traz algumas inconsistências que podem deixar os jogadores um pouco irritados.
Tive a chance de jogar uma versão antecipada do game, e mesmo com algumas atualizações lançadas na semana de estreia, certos bugs persistiram, comprometendo a experiência.
Entendendo onde você está se metendo
Embora eu só tenha testado uma demo do primeiro High on Life, a sequência deixa claro que é uma continuação direta. Mesmo sem conhecer todos os detalhes do jogo anterior, consegui acompanhar a narrativa sem me sentir perdido. Para quem não jogou High on Life, não se preocupe: você não precisará ter jogado o primeiro para entender o contexto.
Aqui, você se depara com uma história cheia de reviravoltas, ideal para os fãs de Rick and Morty. O humor é ácido e os diálogos são recheados de comentários sarcásticos. Prepare-se para isso! Um ponto importante é que você vai precisar ler as legendas, pois não há dublagem em português. O jogo está cheio de diálogos e pode ser desafiador se você não curte isso.
De herói a fora da lei: continuando a história
Em High on Life 2, você não é mais um novato; agora, é um caçador de recompensas famoso na galáxia. Mas a paz dura pouco, já que a corporação Rhea Pharmaceuticals surge como a nova vilã, com planos bem sombrios: reclassificar humanos como gado para a fabricação de pílulas. Quando sua irmã Lizzie, ativista pelos direitos dos animais, entra na mira de caçadores, você acaba se tornando um fugitivo.
Seu arsenal de armas falantes se expande, e agora você tem mais três personagens para interagir durante os combates:
- Travis: uma submetralhadora passando por uma crise de meia-idade.
- Bowey: um arco que pode abrir fendas dimensionais.
- Sheath: um rifle de assalto que também promete boas risadas.
Gameplay transformado: de skate pelos cenários
Uma das grandes novidades de High on Life 2 é a inclusão do skate. Agora, você pode deslizar por trilhos, subir paredes e realizar manobras acrobáticas. Isso traz um ritmo mais dinâmico para o jogo, tornando as ações mais rápidas e estimulantes. Contudo, em algumas situações, acaba sendo cansativo, já que mal há pausa para respirar, exceto em momentos específicos de puzzles ou revelações da história.
Um roteiro super afiado
Quando falamos do roteiro de High on Life 2, não é só sobre a história em si — que é um pouco caótica, por natureza. O grande destaque são os diálogos, que variam do humor “adulto” ao “quinta série” em questão de segundos. O jogo critica convenções sociais, coaches espirituais e até a indústria farmacêutica de maneira bem humorada.
As armas, os gatilias, são um verdadeiro show à parte e falam incessantemente. Você pode reduzir a frequência de falas nas opções, mas isso acaba tirando um pouco da graça. Portanto, é uma escolha difícil: ou você curte as piadas e aproveita a diversão, ou silencia e acaba perdendo muito dessa experiência.
Mostre seu lado investigador
Em alguns momentos do jogo, você vai precisar adotar um olhar mais analítico. Você vai conduzir entrevistas, cruzar informações e tomar decisões que ajudam a desvendar crimes. O final do jogo é especialmente intrigante, amarrando várias pontas soltas da narrativa e mostrando que o roteiro foi bem pensado.
E, novamente, quem não curte ler legendas pode se sentir um pouco perdido nessa parte.
Desempenho: o grande problema
Para essa análise, joguei em um PC de alta potência — com uma CPU AMD Ryzen 7 7800X3D e uma GPU NVIDIA GeForce RTX 4080 Super. Portanto, não deveria haver problemas de desempenho. Mas, infelizmente, percebi quedas de frames em alguns ambientes coloridos e com muitos efeitos visuais. Joguei uma versão liberada antes do lançamento e, mesmo após a atualização, muitos bugs ainda estavam presentes.
Infelizmente, em certos momentos, inimigos sumiam e personagens travavam, fazendo com que eu precisasse reiniciar o jogo. Algumas falhas podem ser corrigidas com atualizações futuras, mas as quedas de desempenho podem demorar um pouco mais para serem resolvidas.
Vale a pena?
High on Life 2 não é um jogo que agrada a todos. Para aproveitar a enxurrada de piadas e referências, é preciso estar atento à narrativa. Se você busca um jogo descontraído, este definitivamente não é o ideal.
A novidade do skate traz uma dinâmica interessante, mas também aumenta a dificuldade nas batalhas. Além disso, o sistema de combate pode ser considerado bastante genérico. O ponto que mais deixa a desejar é o desempenho, que pode atrapalhar a diversão.
Eu adorei os diálogos e interagir com a história, mas, em contrapartida, o jogo em si não me conquistou ao ponto de querer jogá-lo novamente. Isso já diz bastante sobre a experiência.


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