Resident Evil Requiem – Vale a pena?

Você consegue fechar os olhos e se lembrar da primeira vez que andou pelas ruas devastadas de Raccoon City? Sinta o arrepio subindo pela espinha ao ouvir o som de passos arrastados ecoando em um beco escuro, iluminado apenas por um poste de luz piscando. A promessa de Resident Evil Requiem é exatamente essa: pegar você pela mão e levá-lo de volta ao epicentro do pesadelo. Mas desta vez, a experiência vai muito além da simples nostalgia.

A sensação que temos ao pegar o controle é de estarmos vivenciando a fusão perfeita entre a ação explosiva digna das maiores produções de cinema e o terror psicológico cru que nos fazia pausar o jogo para respirar fundo na década de 90. Quando você entra neste novo capítulo, que chega no dia 27 de fevereiro, não está apenas jogando mais um título da franquia; você está experimentando um teste de dualidade que vai brincar com os seus reflexos e com o seu estado emocional.

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A genialidade por trás das duas faces do medo

A maior sacada da Capcom neste novo lançamento foi entender que os jogadores possuem ritmos diferentes. Imagine a satisfação de não precisar escolher entre um jogo de ação frenética e um survival horror metódico, porque os dois estão aqui, divididos perfeitamente entre os protagonistas.

Quando você assume o controle do veterano Leon S. Kennedy, a adrenalina toma conta. Sinta o peso do seu arsenal futurista (guardado em uma clássica maleta) e a resposta imediata da câmera em terceira pessoa. É um balé letal. Você avança, elimina ameaças, acumula pontos e melhora seus equipamentos em um ritmo agressivo que não deixa o seu coração desacelerar.

Por outro lado, quando o jogo corta para a novata Grace, a temperatura cai e o suor frio aparece. Visualize-se caminhando lentamente, com a câmera em primeira pessoa focada diretamente nos horrores à sua frente. A vulnerabilidade é palpável. Cada bala conta. A mecânica exclusiva de Grace, onde você precisa coletar sangue para sintetizar munição e itens de cura, obriga você a calcular riscos o tempo todo. É a humanização do desespero, onde o backtracking (ir e voltar pelos cenários) e a resolução de puzzles complexos se tornam a sua única rota de fuga.

O caos imprevisível nas ruas de Raccoon City

Divulgação / Capcom

Voltar aos cenários clássicos não seria a mesma coisa se os inimigos agissem de forma roteirizada. O que torna os encontros em Requiem tão perturbadores é a imprevisibilidade. Você entra em uma sala que parecia limpa e, de repente, percebe que a inteligência artificial dos zumbis e chefões foi desenhada para quebrar as suas expectativas.

Sinta a urgência de ter que improvisar quando um inimigo não reage ao seu tiro na perna como você esperava. Esse nível de desafio, aliado aos puzzles que exigem que você realmente preste atenção aos detalhes do ambiente, cria uma atmosfera de tensão contínua. É um prato cheio para quem gosta de usar o cérebro tanto quanto usa o gatilho.

Uma narrativa que vive à sombra do passado

Se a jogabilidade brilha intensamente, é preciso ser franco: a história deixa um leve gosto de “quero mais”. O roteiro é uma verdadeira carta de amor aos fãs, repleta de fan service e encontros com rostos conhecidos. Mas, muitas vezes, o excesso de homenagens acaba ofuscando o desenvolvimento de novos conflitos.

Perceba que, embora as cenas de corte sejam espetaculares, as motivações de alguns vilões parecem superficiais. O jogo abre dezenas de portas narrativas, introduz mecânicas brilhantes na história (como o uso do sangue por Grace), mas parece esquecê-las da metade para o fim da campanha. Fica a sensação de que a desenvolvedora jogou seguro, entregando uma síntese de tudo o que funcionou nos últimos anos em vez de arriscar um novo pilar revolucionário para a linha numerada.

O peso da nova geração no seu hardware

Divulgação / Capcom

Deixando a história de lado, o espetáculo visual é inegável. Se você joga no console, respire aliviado. O PS5 entrega uma experiência sólida em 4K e 60 FPS, mantendo a fluidez mesmo quando a tela enche de inimigos. E para quem já garantiu o PS5 Pro, as opções se expandem: você pode ativar o Ray Tracing mantendo a taxa de quadros ou buscar os cobiçados 120 FPS cravados para uma resposta ainda mais imediata no controle.

Mas é no PC que o monstro realmente sai da jaula. Se você possui um hardware de ponta, como as recentes RTX série 50, a implementação do Path Tracing transforma a iluminação do jogo em algo absurdamente fotorrealista. Imagine as sombras projetadas perfeitamente por uma lanterna piscando em um corredor alagado. Com a ajuda do DLSS 4 e da Geração de Quadros, o jogo roda de forma impecável. Contudo, saiba que essa beleza tem um preço alto em processamento; sem essas tecnologias de upscaling, até os computadores mais robustos vão suar para manter a estabilidade.

Afinal, vale a pena encarar esse pesadelo?

A resposta curta e direta é: sim, vale cada segundo. O que Resident Evil Requiem perde em profundidade narrativa, ele compensa, de longe, com uma das jogabilidades mais polidas e bem ritmadas da década.

A liberdade de alternar as perspectivas de câmera naturalmente e a genialidade de equilibrar o terror claustrofóbico com a ação implacável fazem deste título uma experiência obrigatória. Você não está apenas comprando um jogo; está garantindo um bilhete de volta para a cidade onde os nossos maiores medos digitais nasceram. Apague as luzes, feche as cortinas e prepare o seu inventário. A noite em Raccoon City será longa.

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