Arctic Awakening aposta em narrativa profunda e sobrevivência emocional no Ártico

Arctic Awakening marca uma nova fase da GoldFire Studios, estúdio conhecido até então por experiências multiplayer mais simples. Desta vez, a desenvolvedora entrega uma aventura narrativa ambiciosa, inspirada em jogos como Firewatch e produções da Telltale, apostando em emoção, mistério e escolhas do jogador.

Uma história de sobrevivência e autoconhecimento

O jogo acompanha Kai Akana, um ex-piloto militar que realizava uma missão de abastecimento no Alasca quando uma forte tempestade provoca a queda de sua aeronave. Seu copiloto, Donovan, consegue saltar de paraquedas, mas acaba ferido em algum ponto da floresta gelada. Já Kai fica preso em uma região isolada do Ártico, tendo apenas a companhia de Alfie, um curioso robô terapeuta designado a ele por ordem judicial.

Sozinho, ferido e cercado pelo desconhecido, Kai precisa lutar para sobreviver, explorar o ambiente e encontrar uma forma de escapar. Durante a jornada, o jogador descobre instalações científicas abandonadas, drones sem tripulação vagando pelo território e pistas de que outros já passaram por ali antes. Aos poucos, um grande mistério começa a se desenrolar.

Relação entre homem e máquina

Divulgação / GoldFire Studios

O ponto alto de Arctic Awakening está na relação entre Kai e Alfie. Enquanto o protagonista é fechado, rude e resistente a mudanças, o robô é curioso, empático e sempre disposto a ajudar. Esse contraste gera diálogos interessantes, momentos de humor e até cenas emocionantes.

Com o avanço da história, o jogador cria um forte vínculo com Alfie, que se mostra muito mais carismático do que muitos personagens humanos do jogo. Ainda assim, existe sempre uma tensão no ar, já que o robô está constantemente analisando o comportamento de Kai.

Jogabilidade focada em escolhas

Arctic Awakening é um walking simulator guiado por decisões, com elementos leves de sobrevivência. O jogador precisa:

  • Explorar cenários gelados
  • Tomar decisões em diálogos
  • Coletar suprimentos
  • Gerenciar fome
  • Cuidar da saúde mental do protagonista

O sistema de mindfulness chama atenção: em pontos específicos do mapa, Kai pode meditar para recuperar o bem-estar mental. Apesar da proposta interessante, esse recurso acaba pouco integrado à narrativa, funcionando mais como uma mecânica isolada.

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Estrutura episódica

O jogo é dividido em cinco episódios, cada um com cerca de duas horas de duração. Essa estrutura favorece o ritmo da história, trazendo ganchos ao final de cada capítulo e permitindo pausas naturais. É um formato perfeito para quem gosta de jogar aos poucos, sem compromissos longos.

Ambientação imersiva

A ambientação mistura natureza selvagem com estruturas futuristas abandonadas, criando um clima de mistério constante. A sensação é de estar em um mundo real, sem áreas artificiais separadas por telas de carregamento. Essa construção de mapa é um dos pontos fortes do jogo.

Pontos positivos

  • Relação envolvente entre Kai e Alfie
  • Ambientação imersiva
  • Boa atuação do elenco de dublagem
  • Mistério instigante
  • Estrutura episódica bem aplicada

Pontos negativos

  • Problemas técnicos e bugs
  • Ritmo irregular
  • Desenvolvimento de personagem inconsistente
  • Sistema de sobrevivência pouco impactante
  • Decisões nem sempre influenciam a personalidade de Kai

Vale a pena jogar?

Arctic Awakening tem ideias excelentes, mas tropeça na execução. A proposta narrativa é interessante, a relação entre os personagens é cativante, porém falhas técnicas e escolhas de design prejudicam a experiência. Ainda assim, o jogo apresenta uma identidade própria e mostra o potencial da GoldFire Studios em criar histórias mais profundas.

Para quem gosta de aventuras narrativas e jogos focados em exploração e diálogos, Arctic Awakening pode valer a pena, especialmente se você aprecia experiências mais contemplativas e emocionais.

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